sexta-feira, maio 19, 2006

De Amicitia

Resolvi hoje escrever sobre a amizade, esse assunto sobre o qual tanto se escreve, em todas as idades, e que estamos habituados a "ver" adjectivado e decorado com passarinhos e flores cor-de-rosa sob um sol resplandescente nos olhos de quem sobre ele escreve... não é, no entanto, nesse tom abstracto de quem fala sobre coisas belas em geral que pretendo falar sobre a amizade.
Apercebi-me recentemente, tipo há coisa de meia hora e assim de repente(não é que não soubesse já estas coisas mas pronto às vezes o pensamento surge do nada, inconscientemente), como são para mim importantes esses personagens a que tenho o prazer e a honra de chamar amigos. E como me sinto afortunado por isso!
Enquanto tratava de organizar o meu trabalho aqui no estágio depois de uma ausência de dois dias por motivos académicos (foi só o exame de redes e sistemas mas motivos académicos faz a coisa parecer mais coiso e tal...)veio-me à cabeça o facto de ter estado ontem com o zé, meu amigo, companheiro de toda a vida (correndo o risco de parecer altamente gay mas sem que isso me importe minimamente)e o genuíno prazer que tivemos os dois nesse encontro. Importa esclarecer que conheço o zezitos desde que me recordo de mim, basta pensar que quando entrei para a escola primária no longiquo ano de 1985 (há 21 anos!), já conhecia o zé há bué e bué quando se tem 5 anos quer dizer muita coisa. Mas voltando a ontem, foi uma sensação muito fixe sair de casa de chinelos, andar 100 metros, meter a mão por entre as grades do portão da casa do mano zé para o abrir de dentro com aquele jeitinho especial e cumprimentar o carcomido à porta de casa com aquele abraço e um brilho inexplicável nos olhos... ou por outra, até bem explicável, afinal já não nos viamos há uns tempitos naquelas condições e, como é natural, destas coisas sentimos sempre falta. E depois sentar na cozinha com a Guida e a D. Paula a falar sobre histórias nossas de putos e rir às gargalhadas! Momentos de ouro em família...
Mas igualmente me veio à cabeça aquele pensamento que me ocorre frequentemente, quando estou num sítio bacano, tipo só cá faltavam os verdadeiros para isto ser perfeito, como me aconteceu no passado fim-de-semana. A situação particular, que em si não é especialmente relevante mas serve para contextualizar, foi uma festarola e lembro-me de ter pensado primeiro e depois comentado com o mano billy: só cá faltavam o zé, o refas, o stigol e o tostas... acabei de reparar na circunstância engraçada de que todos usamos nomes de guerra, atribuídos por uns aos outros e todos eles com história... eheheh. E já que estou numa de escrever o que me vai surgindo na cabeça à medida que escrevo aqui fica desde já um abraço cósmico ao mano artxocus seja lá o que for que ele esteja a fazer agora lá do outro lado do oceano. E aqui mais perto ao mano tropa que nem sequer consigo imaginar aquilo que deve estar a passar desde março do ano passado. Força meu puto!
Pois é, acabei de reler tudo o que acabei de escrever e nem por sombras acabei de falar sobre coisas belas e pessoas. Seria mais um daqueles assuntos sobre o qual poderia escrever uma biblioteca inteira. E seria absurdamente redutor estar para aqui a fazer um elenco das boas pessoas que conheço ou classificar este ou aquele como mais ou menos amigo (iria contra a própria essência do conceito) limitei-me apenas a discorrer sobre pensamentos instantâneos e acontecimentos recentes. Todos saberão quem é quem porque se há coisa que faço questão de demonstrar é este tipo de afecto. Over and out.