terça-feira, novembro 08, 2005

Alienanços

Ora bem onde é que eu ia, pensava o nosso alienado preparando-se para lançar mais um bocado de si na blogosfera. Isto tem sido giro e acho que até me tem feito bem, de certa forma.
As coisas pareciam estar a complicar-se com as aulas que saíam prejudicadas do necessário trabalho em horário tardio e com a matéria que avançava ao seu ritmo inexorável não esperando pelo cérebro dormente nem pelo preguiçoso corpo que se recusava a obedecer-lhe perante o toque do madrugador telemovél. Tenho de mudar de horário, dizia o nosso pequeno bruto. Tudo isto era, no entanto, de importância mais ou menos relativa, porque o nosso rapazito no fundo sabia que não era o horário nem as aulas e nem sequer o tal trabalho que lhe causavam aquele aparente desconforto ou agitação interior, aquele stress de fininho latente ao longo dos ùltimos tempos. Eram apenas variáveis independentes deste complicado silogismo que lhe ia na cabeça. Nem tudo o que nos vai na cabeça tem que ter um nome. É completamente redutora esta ideia de querer exprimir tudo o que me vai na cabeça através de formas racionais como os números ou as letras. Seria um esforço inglório. É predominantemente sentimento, sensação, como explicá-lo por exemplo a alguém que nunca o experienciou? Tipo, seria impossível a qualquer pessoa explicar a sensação de ser pai a alguém que nunca tivesse passado por isso. Não há palavras que descrevam convenientemente qualquer sentimento, seja ele qual for. Apenas se já o tivermos sentido saberemos verdadeiramente entender a descrição. Assim como só saberei o que é ser pai se algum dia o for, independentemente de me dizerem que é assim e assado e de imaginar o que deva ser.
Por isso, pensava o nosso bravo divagando em banho maria, nem sequer vou arriscar uma ligeira abordagem a toda esta inconstância.
Parara um momento para reler o que havia acabado de escrever. Isto de andar armado em sonhador tem muito que se lhe diga. Ou se calhar tive apenas um dia dificil. Ah e tal...