sábado, janeiro 28, 2006

Insónias

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domingo, janeiro 22, 2006

Lucy in the Sky with Diamonds


"I suddenly became strangely inebriated. The external world became changed as in a dream. Objects appeared to gain inrelief; they assumed unusual dimensions; and colors became more glowing. Even self-perception and the sense of time were changed. When the eyes were closed, colored pictures flashed past in a quickly changing kaleidoscope. After a few hours, the not unpleasant inebriation, which had been experienced whilst I was fully conscious, disappeared. What had caused this condition?"

Assim escreveu Albert Hoffman nos seus apontamentos algures em 1943. Como a maior parte dos grandes cientistas, inventores, descobridores, provavelmente nem sequer imaginava qual seria o verdadeiro alcance da sua descoberta. Olhando para a descrição posso no entanto atestar as suas qualidades de bom observador e cientista louco, que se utiliza a si próprio como cobaia numa experiência trascendental como esta: os objectos que ganham um estranho relevo e assumem dimensões invulgares, as cores que ganham brilho e vivacidade fora do normal, a percepção alterada de nós próprios e do tempo, o turbilhão de imagens e cor que nos inunda a cabeça quando fechamos os olhos... devia ser mesmo daquele, o acido que o nosso Albertino experimentou naquele dia.
Eu pessoalmente diria: provavelmente a melhor pedrada de todas. A lista seria longa e impossível de percorrer na totalidade sem ter de dedicar um período da vida a experimentá-las todas, para além do facto de que cada um tem as suas muito próprias e subjectivas experiências e respectivas particulares reacções e opiniões. A minha curiosidade já me levou no entanto a conhecer todos os grupos (todos!) incluindo algumas pouco vulgares e a minha experiência e gosto pessoal elegem lsd por maioria absoluta. O mano Albertino não terá sido com toda a certeza o primeiro mas foi sem dúvida um dos mais brutos de que há registo.
Bem este gajo tá todo queimadinho daquele cérebro, dirão alguns. Sabem tão pouco! E aquilo que aprendi sobre as pessoas, sobre a Natureza, as coisas que normalmente não vemos mas em que reparamos quando temos a sensibilidade multiplicada por 1000? E os horizontes alargados? E o olhar modificado (e nem sequer estou a falar da minha miopia e estigmatismo cujos efeitos não se fazem minimamente sentir apesar de nunca ter usado regularmente óculos)? Bibliotecas inteiras poderia eu escrever. Ficariam surpresos ao descobrir como nos apercebemos da verdadeira natureza das pessoas ( filmes já eu fiz e vi fazer muitos e sei confiar naquilo que o meu instinto me diz) que não estão sob o efeito quando nós estamos. E por outro lado como nos apercebemos do verdadeiro eu daqueles que estão connosco com a mesma pedrada, na sua natureza desinibida, dos seus pequenos pormenores deliciosos e tantas vezes hilariantes mas também das suas inseguranças e receios.
Um tratado sobre a mente humana... e tal.

quinta-feira, janeiro 19, 2006

Canção de Lisboa


Os serões habituais
E as conversas sempre iguais
Os horóscopos, os signos e ascendentes
Mais a vida da outra sussurrada entre dentes
Os convites nos olhos embriagados
Os encontros de novo adiados
Nos ouvidos cansados ecoa
A canção de Lisboa

Não está só a solidão
Há tristeza e compaixão
Quando o sono acalma os corpos agitados
Pela noite atirados contra colchões errados
Há o silêncio de quem não ri nem chora
Há divórcio entre o dentro e o fora
Há quem diga que nunca foi boa
A canção de Lisboa

A urgência de agarrar
Qualquer coisa para mostrar
Que afinal nós também temos mão na vida
Mesmo que seja à custa de a vivermos fingida
O estatuto para impressionar o mundo
Não precisa de ser mais profundo
Que o marasmo que nos atordoa
Ó canção de Lisboa

As vielas de néon
E as guitarras já sem som
Vão mantendo viva a tradição da fome
Que a memória deturpa e o orgulho consome
Entre o orgasmo na gruta ainda fria
E o abandono da carne vazia
Cada um no seu canto entoa
A canção de Lisboa

Jorge Palma

Sabe tanto, o mano Jorge...

segunda-feira, janeiro 02, 2006

Happy New Year

2 de Janeiro de 2006... e um bom ano novo para todos! Primeiro dia deste novo ano, porque ontem ainda estava a ser, ainda vagueava na fase intermédia entre o ano novo e o passado, bruto que nem uma xixa! E é assim, cá estou eu, saltitando entre remoínhos e turbilhões, trabalhinhos e confusões...
Eu próprio não sei bem onde é que andei nem o que andei a fazer por vezes mas senti-me livre e descontraído, eu e a minha brutidão.
...ed il sogno ricorrente è ancora un ricordo permanente