"I suddenly became strangely inebriated. The external world became changed as in a dream. Objects appeared to gain inrelief; they assumed unusual dimensions; and colors became more glowing. Even self-perception and the sense of time were changed. When the eyes were closed, colored pictures flashed past in a quickly changing kaleidoscope. After a few hours, the not unpleasant inebriation, which had been experienced whilst I was fully conscious, disappeared. What had caused this condition?"Assim escreveu Albert Hoffman nos seus apontamentos algures em 1943. Como a maior parte dos grandes cientistas, inventores, descobridores, provavelmente nem sequer imaginava qual seria o verdadeiro alcance da sua descoberta. Olhando para a descrição posso no entanto atestar as suas qualidades de bom observador e cientista louco, que se utiliza a si próprio como cobaia numa experiência trascendental como esta: os objectos que ganham um estranho relevo e assumem dimensões invulgares, as cores que ganham brilho e vivacidade fora do normal, a percepção alterada de nós próprios e do tempo, o turbilhão de imagens e cor que nos inunda a cabeça quando fechamos os olhos... devia ser mesmo daquele, o acido que o nosso Albertino experimentou naquele dia.
Eu pessoalmente diria: provavelmente a melhor pedrada de todas. A lista seria longa e impossível de percorrer na totalidade sem ter de dedicar um período da vida a experimentá-las todas, para além do facto de que cada um tem as suas muito próprias e subjectivas experiências e respectivas particulares reacções e opiniões. A minha curiosidade já me levou no entanto a conhecer todos os grupos (todos!) incluindo algumas pouco vulgares e a minha experiência e gosto pessoal elegem lsd por maioria absoluta. O mano Albertino não terá sido com toda a certeza o primeiro mas foi sem dúvida um dos mais brutos de que há registo.
Bem este gajo tá todo queimadinho daquele cérebro, dirão alguns. Sabem tão pouco! E aquilo que aprendi sobre as pessoas, sobre a Natureza, as coisas que normalmente não vemos mas em que reparamos quando temos a sensibilidade multiplicada por 1000? E os horizontes alargados? E o olhar modificado (e nem sequer estou a falar da minha miopia e estigmatismo cujos efeitos não se fazem minimamente sentir apesar de nunca ter usado regularmente óculos)? Bibliotecas inteiras poderia eu escrever. Ficariam surpresos ao descobrir como nos apercebemos da verdadeira natureza das pessoas ( filmes já eu fiz e vi fazer muitos e sei confiar naquilo que o meu instinto me diz) que não estão sob o efeito quando nós estamos. E por outro lado como nos apercebemos do verdadeiro
eu daqueles que estão connosco com a mesma pedrada, na sua natureza desinibida, dos seus pequenos pormenores deliciosos e tantas vezes hilariantes mas também das suas inseguranças e receios.
Um tratado sobre a mente humana... e tal.