terça-feira, maio 23, 2006

P.U.T.O. - Partido Unificado dos Trabalhinhos Organizados

Já que escrevo aqui sobre vários assuntos relacionados com a minha pessoa, resolvi hoje pronunciar-me a respeito da minha orientação politica. Eu, que sou um gajo tão politicamente activo que posso afirmar em boa consciência que nunca faltei a nenhum acto eleitoral desde que tenho o meu cartão de eleitor. E posso, de resto, acrescentar como factor de prova que tenho o referido cartão desde o final de fevereiro passado e desde então ainda não houve acto eleitoral de natureza alguma. Assim sendo e como se pode verificar do que acabei de dizer sou um gajo não só politicamente activo como também correcto, coerente e esclarecido.
De todos os partidos que orbitam no promíscuo universo politico português, aquele com que mais me identifico, ainda não terá sido, por lapso, criado, mas está tão presente no dia a dia de todos nós que não posso deixar de me considerar um militante convicto e um aficcionado.
Estou a falar, claro está, do P.U.T.O., o Partido Unificado dos Trabalhinhos Organizados, que teve a sua origem no já extinto P.U.T.A. (Partido Universal dos Trabalhinhos Absurdos).
O P.U.T.A. que sempre fez tacitamente parte do panorama politico português apesar de nunca ter sido criado, acabaria por desaparecer devido aos evidentes constrangimentos linguísticos que o seu nome gerava.
Seguindo a mesma linha de pensamento mas adoptando uma perspectiva mais organizada, surgiu então o P.U.T.O. que ganhou desde logo uma dimensão considerável ao agrupar em si para além dos militantes do antigo P.U.T.A., um conjunto de jovens dissidentes que lutavam por ideais de coiso e tal e que se sentiam assim assim em relação a não se sabe bem o quê.
Foi deste ùltimo grupo, no qual me incluo eu próprio que surgiu aquele a que podemos chamar o núcleo duro do P.U.T.O., ou empregando a terminologia do próprio partido, o núcleo bruto. A este respeito importa esclarecer algumas questões: o P.U.T.O. apesar de ainda não ter sido (por lapso, já se sabe) criado possui já vários mecanismos de funcionamento interno e de organização hierárquica. Desde logo para se ser membro, militante do P.U.T.O. é necessário possuir um Certificado de Brutidão (CB) emitido pela C.H.I.C.H.A. (Companhia Histórica Internacional de Certificação Humana em termos Absurdos)que é a entidade certificadora competente nesta matéria. Condições para obtenção do Certificado de Brutidão homologado pela C.H.I.C.H.A., são entre outras, uma comprovada competência em termos de EH PUTO! (Esticar Humanamente o Presunto de forma Unificada e Totalmente Organizada) e uma elevada experiência em termos de desbravanço territorial. Para além disso, os membros do partido assumem a designação, apenas a nível interno, de brutos tornando mais fácil a sua identificação por parte dos outros membros do partido. Assim sendo e apesar de o referido partido ainda não ter sido (por lapso, claro está) criado, todos os seus membros sabem quem é quem e não será invulgar ouvi-los a saudarem-se recíprocamente com frases como "então meu puto, tá tudo bruto?", ou "como é que é bruto, tá tudo da chicha ou quê?" ou mais simplesmente "eh bruto da chicha!".

(to be continued...)

sexta-feira, maio 19, 2006

De Amicitia

Resolvi hoje escrever sobre a amizade, esse assunto sobre o qual tanto se escreve, em todas as idades, e que estamos habituados a "ver" adjectivado e decorado com passarinhos e flores cor-de-rosa sob um sol resplandescente nos olhos de quem sobre ele escreve... não é, no entanto, nesse tom abstracto de quem fala sobre coisas belas em geral que pretendo falar sobre a amizade.
Apercebi-me recentemente, tipo há coisa de meia hora e assim de repente(não é que não soubesse já estas coisas mas pronto às vezes o pensamento surge do nada, inconscientemente), como são para mim importantes esses personagens a que tenho o prazer e a honra de chamar amigos. E como me sinto afortunado por isso!
Enquanto tratava de organizar o meu trabalho aqui no estágio depois de uma ausência de dois dias por motivos académicos (foi só o exame de redes e sistemas mas motivos académicos faz a coisa parecer mais coiso e tal...)veio-me à cabeça o facto de ter estado ontem com o zé, meu amigo, companheiro de toda a vida (correndo o risco de parecer altamente gay mas sem que isso me importe minimamente)e o genuíno prazer que tivemos os dois nesse encontro. Importa esclarecer que conheço o zezitos desde que me recordo de mim, basta pensar que quando entrei para a escola primária no longiquo ano de 1985 (há 21 anos!), já conhecia o zé há bué e bué quando se tem 5 anos quer dizer muita coisa. Mas voltando a ontem, foi uma sensação muito fixe sair de casa de chinelos, andar 100 metros, meter a mão por entre as grades do portão da casa do mano zé para o abrir de dentro com aquele jeitinho especial e cumprimentar o carcomido à porta de casa com aquele abraço e um brilho inexplicável nos olhos... ou por outra, até bem explicável, afinal já não nos viamos há uns tempitos naquelas condições e, como é natural, destas coisas sentimos sempre falta. E depois sentar na cozinha com a Guida e a D. Paula a falar sobre histórias nossas de putos e rir às gargalhadas! Momentos de ouro em família...
Mas igualmente me veio à cabeça aquele pensamento que me ocorre frequentemente, quando estou num sítio bacano, tipo só cá faltavam os verdadeiros para isto ser perfeito, como me aconteceu no passado fim-de-semana. A situação particular, que em si não é especialmente relevante mas serve para contextualizar, foi uma festarola e lembro-me de ter pensado primeiro e depois comentado com o mano billy: só cá faltavam o zé, o refas, o stigol e o tostas... acabei de reparar na circunstância engraçada de que todos usamos nomes de guerra, atribuídos por uns aos outros e todos eles com história... eheheh. E já que estou numa de escrever o que me vai surgindo na cabeça à medida que escrevo aqui fica desde já um abraço cósmico ao mano artxocus seja lá o que for que ele esteja a fazer agora lá do outro lado do oceano. E aqui mais perto ao mano tropa que nem sequer consigo imaginar aquilo que deve estar a passar desde março do ano passado. Força meu puto!
Pois é, acabei de reler tudo o que acabei de escrever e nem por sombras acabei de falar sobre coisas belas e pessoas. Seria mais um daqueles assuntos sobre o qual poderia escrever uma biblioteca inteira. E seria absurdamente redutor estar para aqui a fazer um elenco das boas pessoas que conheço ou classificar este ou aquele como mais ou menos amigo (iria contra a própria essência do conceito) limitei-me apenas a discorrer sobre pensamentos instantâneos e acontecimentos recentes. Todos saberão quem é quem porque se há coisa que faço questão de demonstrar é este tipo de afecto. Over and out.

quarta-feira, maio 03, 2006

Cada Lugar Teu

Sei de cor cada lugar teu
atado em mim, a cada lugar meu
tento entender o rumo que a vida nos faz tomar
tento esquecer a mágoa
guardar só o que é bom de guardar

Pensa em mim protege o que eu te dou
Eu penso em ti e dou-te o que de melhor eu sou
sem ter defesas que me façam falhar
nesse lugar mais dentro
onde só chega quem não tem medo de naufragar

Fica em mim que hoje o tempo dói
como se arrancassem tudo o que já foi
e até o que virá e até o que eu sonhei
diz-me que vais guardar e abraçar
tudo o que eu te dei

Mesmo que a vida mude os nossos sentidos
e o mundo nos leve pra longe de nós
e que um dia o tempo pareça perdido
e tudo se desfaça num gesto só

Eu vou guardar cada lugar teu
ancorado em cada lugar meu
e hoje apenas isso me faz acreditar
que eu vou chegar contigo
onde só chega quem não tem medo de naufragar



Mafalda Veiga