
Herbert, esse grande maluco que vivia ao sabor dos acontecimentos sem fazer grandes planos para o futuro que era tão incerto como a confusão dentro da sua cabeça, andava
incazzato como diria no seu melhor latim qualquer italiano que se sentisse de forma semelhante. Estava naqueles dias em que pensava em todos os assuntos que pendiam na sua cabeça sem resolução à vista (pelo menos a breve termo) : o sempre presente desejo de sair de casa dos pais cuja realização parecia cada vez mais longínqua e a sua impotência para o realizar; o seu iminente ingresso nas fileiras do
mundo real que continuava a ser uma fonte de incerteza e algum medo à mistura; a sua necessidade
di stare con lei e superar o clima de indefinição das suas recentes e presentes relações que eram atribuladas como o resto da sua vida; a precária situação financeira presente. A juntar a tudo isto, chovia lá fora e o céu apresentava-se num tom cinzento escuro carregado como quem diz:
"nem sequer terás hipótese de tirar o cavalinho da chuva hoje". Tudo bem mexido e sem juntar ovos, hoje era daqueles dias, pensava Herbert com uma expressão quase tão sisuda como o tempo lá fora, em que apetecia passar um atestado de
"vafancullo" a todo o mundo, do estilo:
" - bom dia Herbert!", ao que este responderia com um categórico
" - pó caralho pá!". Estava definitivamente chateado o nosso Herbert e, mais estranho, nem sequer tinha uma boa razão para isso. Nem tão pouco parecia interessado em encontrá-lo, o motivo, estava
incazzato e pronto. Amanhã seria outro dia...