domingo, novembro 13, 2005

Ressaca

Sensação ligeiramente desconfortável e estranhamente incomodativa no estômago, corpo mais cansado do que o habitual apesar das mais de nove horas dormidas e um particular vazio cerebral acompanhado de uma quase natural vontade de não fazer nada, assim se tinha sentido o jovem brutus durante todo o dia. A noite anterior tinha sido daquelas, regada com um pouco de tudo e polvilhada com outro tanto da loucura juvenil do costume. Grande stickada tinha sido e mais uma vez o bruto tinha voltado para casa a conduzir, como se nada fosse. Não pode ser, pensava agora, tenho andado a fazer merda a torto e a direito. Pensava no quão pouco responsável era por vezes e em como já tinha idade para ter mais juízo do que isso, o típico remorso interior simbólico do pós-moca. Tinha sido uma noite de emoções fortes e contraditórias, ainda que, por vezes, relacionadas entre si. No final o whisky tinha começado a jorrar de todos os lados, de certa forma causa e igualmente consequência do ébrio decorrer da noite. Interessava agora colher os necessários ensinamentos da noite anterior.
Não existe nenhum assunto no mundo que mereça que nos embriaguemos, seja lá como for, para não pensar nele. Nenhuma coisa nem ninguém deve ter esse efeito em nós sob pena de a bendita embriguez deixar de ser um tão belo momento de descontracção e alegria de efeitos por vezes benéficos e até enriquecedores (expandir horizontes, elevar o olhar...) para se tornar um momento de pura destruição fìsica e psicológica, de esmagamento do ego e perda da autoestima, por vezes até com consequências ainda mais graves.
A noite anterior tinha sido uma estranha espécie de mistura das duas situações, tendo começado com a celebração do aniversário de um amigo de longa data, desculpa de primeira àgua, como se costuma dizer, mais do que válida para apanhar uma pisada daquelas e acabando a dar para o outro lado, após a intervenção da feiticeira que ultimamente andava a incendiar os dias e as noites ao nosso rapazito. Ai ai...
Epa já é tarde, vou mas é para a cama.

terça-feira, novembro 08, 2005

Alienanços

Ora bem onde é que eu ia, pensava o nosso alienado preparando-se para lançar mais um bocado de si na blogosfera. Isto tem sido giro e acho que até me tem feito bem, de certa forma.
As coisas pareciam estar a complicar-se com as aulas que saíam prejudicadas do necessário trabalho em horário tardio e com a matéria que avançava ao seu ritmo inexorável não esperando pelo cérebro dormente nem pelo preguiçoso corpo que se recusava a obedecer-lhe perante o toque do madrugador telemovél. Tenho de mudar de horário, dizia o nosso pequeno bruto. Tudo isto era, no entanto, de importância mais ou menos relativa, porque o nosso rapazito no fundo sabia que não era o horário nem as aulas e nem sequer o tal trabalho que lhe causavam aquele aparente desconforto ou agitação interior, aquele stress de fininho latente ao longo dos ùltimos tempos. Eram apenas variáveis independentes deste complicado silogismo que lhe ia na cabeça. Nem tudo o que nos vai na cabeça tem que ter um nome. É completamente redutora esta ideia de querer exprimir tudo o que me vai na cabeça através de formas racionais como os números ou as letras. Seria um esforço inglório. É predominantemente sentimento, sensação, como explicá-lo por exemplo a alguém que nunca o experienciou? Tipo, seria impossível a qualquer pessoa explicar a sensação de ser pai a alguém que nunca tivesse passado por isso. Não há palavras que descrevam convenientemente qualquer sentimento, seja ele qual for. Apenas se já o tivermos sentido saberemos verdadeiramente entender a descrição. Assim como só saberei o que é ser pai se algum dia o for, independentemente de me dizerem que é assim e assado e de imaginar o que deva ser.
Por isso, pensava o nosso bravo divagando em banho maria, nem sequer vou arriscar uma ligeira abordagem a toda esta inconstância.
Parara um momento para reler o que havia acabado de escrever. Isto de andar armado em sonhador tem muito que se lhe diga. Ou se calhar tive apenas um dia dificil. Ah e tal...

Alienistas e alienados

Lá estava o nosso rapazito, fixando o olhar distante no ecrã enquanto a mão direita divagava entre um click e outro e a esquerda encaracolava os viciantes caracóis...
Epa mas que grande seca é por vezes este trabalho, pensava, entregando-se logo de seguida a uma pequena viagem no seu pensamento: realmente sou um gajo complicado... porque é que me meto a pensar? às vezes estrago tudo quando começo com estas reflexões interiores, em vez de simplesmente me deixar andar ao sabor dos acontecimentos...
Entretanto aquela ùltima e interminàvel meia hora do trabalho havia passado. Uma hora e outras tantas ganzas mais tarde, já o nosso cosmonauta se encontrava em casa, dividindo o seu anhanço entre uma ou outra tecladela no messenger, pequenas divagações escritas e claro, enrolar os caracóis.
Ta mas é na hora de ir para a cama, pensou enquanto relia tudo o que havia escrito. Isto anda tudo uma confusão...